Esse post era pra ser só sobre a Project Magazine, primeira revista feita somente pro iPad. Mas o lançamento do The Daily, o primeiro jornal feito pra iPad me obrigou a criar um paralelo, ou melhor, uma teoria sobre os dois.
Tudo porque o The Daily representa mais uma vez o desespero das grandes editoras que tem em Rupert Murdoch o paladino da luta em prol da venda de conteúdo. A Project por sua vez parece ser a primeira publicação a explorar profundamente as opções que o iPad dá, deixando de lado as rasas interações que tinhamos até aqui. Interações essas que o Daily vende como coqueluchês da tecnologia, demonstrando a falta de respeito com que alguns editores encaram os novos tempo.
Isso que nem falei da recauchutada que eles deram no visual do jornal pra ele ficar parecendo uma revista. É daí inclusive que vem o título do post. Jornal e Revista sempre caminharam em direções opostas, mas o lançamento do The Daily mostrou uma tendência dos jornais de buscarem se parecer com as revistas, a fim de ficarem visualmente mais agradáveis. Esse "tudo por dinheiro", na minha opinião, chega a ser desesperadamente triste...
Antes que joguem a primeira pedra, não, eu não sou a favor do conteúdo de graça... Acho que existe muito trabalho por trás do texto, da foto e do layout, para que isso seja de graça... A Project inclusive é paga... O que eu sou a favor é que as coisas mudem... Sou a favor de projetos como a Project (rs... não pude deixar de fazer a piada...!) que façam o leitor ou usuário, terem vontade de comprar esse conteúdo. Não só pelo conteúdo em si, mas também pela forma como ele é apresentado.
Ninguém é besta, se os caras do The Daily acham que podem fantasiar um jornal para que pareça uma revista, fazer um monte de interação meia boca e dizer que são o futuro, o tempo mostrará que estão errados...
Já a Project, ah a Project, essa tem futuro... e provavelmente um post com mais detalhes!
As enchentes que assolaram e assolam o Rio tem de no mínimo despertar a nossa generosidade... Mas, se só o sofrimento das pessoas não for o suficiente pra você o tipografo Daniel Justi te da uma mãozinha...
Abaixo a "promoção" que ele está fazendo no flickr em cima das fontes dele para incentivar designer de coração duro...
Pensando em fazer minha parte para ajudar as vítimas das chuvas no Rio de Janeiro, resolvi usar minhas fontes tipográficas como forma de estimular as doações.
Como funciona: 1. escolha uma das contas oficiais de doação (listadas em g1.globo.com/rio-de-janeiro/chuvas-no-rj/noticia/2011/01/...; 2. faça o depósito, com base nos valores no final da lista; 3. envie o comprovante para [danieljusti@gmail.com], indicando a(s) fonte(s) desejada(s) de acordo com o valor.
Valores: A cada R$ 10 doado, escolha 1 peso de qualquer família; doando R$ 50, escolha 7 pesos; e doando R$100 ou mais, leve todas as fontes (15 no total).
Obs.: não aceito nenhum tipo de depósito pessoal. Todas as doações devem ser feitas para as contas oficiais. Este é um ato muito pequeno e específico, mas qualquer forma de ajuda é válida.
... pra não levar a sérioooo!... ... O nosso caso de amor, eu sempre fui sincero e você sabe muito bem... ... eu não te prometi amor... NAAADA!
Pra quem não sabe, o trecho acima é da música Telefone do mestre Tim Maia, mas caberia muito bem no que acontece hoje no mercado editorial yankee.
O grande Tim em 77, ele sabia das coisas
Isso porque o ABC (sigla de Audit Bureau of Circulations, é tipo o IVC dos americanos) divulgou a poucos dias números nada animadores sobre a "circulação" ou "venda" das revistas digitais (leia-se revistas para IPad) nos últimos meses. O que se constatou foi o que muitos ja falavam... INCLUSIVE EEUUU! Apesar do BOOM inicial, todas despencaram... inclusive a Wired de 100.000 exemplares vendidos no lançamento.
Agora! Isso você lê em qualquer lugar... o ponto chave desse post é que esses números mostram cada vez mais que o caminho trilhado não está certo. As grandes editoras estão caindo no mesmo erro das gravadoras a uma década atrás... Ao invés de repensarem o negócio, eles querem "modernizar" o negócio da maneira mais capenga e conveniente possível. Emulando a interação Leitor x Revista e emulando até a interação Leitor x Editora.
Isso está errado e os números mostram isso... Não adianta você querer ditar pras pessoas o que elas vão consumir de informação. Você precisa deixar elas escolherem a informação que querem consumir...
Chega de discussões infindáveis sobre PDF em movimento ou estático, slides, texto ajustavel, texto estático... Não é hora de enfeitar o pavão. É hora de discutir o formato... É preciso saber que informação passar pro leitor... Ele quer montar a "revista" dele com os assuntos que o interessam mais...
No post do ano passado Porque não falar do iPad, eu bati nessa tecla... É preciso inventar, sair da caixa e descobrir uma maneira INOVADORA de disseminar a informação para que o leitor possa realmente ter vontade de pagar por algo que ele pode ter de graça... A formula "6 editores decidem o que 1.000.000,00 pessoas vão ler" está totalmente ultrapassada e tudo que partir pra esse lado será rejeitado pelo público.
Agora um recado pras grandes editoras, enquanto isso não mudar... agonizem!
PS: Pra quem não conheçe a sonzeira... aperte o play!
Não... não é nenhum furo de reportagem nem uma crítica ácida a alguma fonte ou cor... Esse post é mais um reconhecimento as equipes de arte das revistas. Principalmente aquelas que além de fazer, explicam como fazem.
Estou falando dos blogs das equipes de arte, que além de trabalhar enloquecidamente para produzir toda a revista ainda encontra tempo para partilhar suas inspirações, curiosidades, dicas e na maioria dos casos o processo interno da produção de capas, fotos, infos e matérias.
É uma espécie de auto-retrato onde nós podemos ver através da lente dos membros dessas equipes e entender como funciona a parte mais efervecente das publicações.
Numa breve pesquisa achei 5 blogs que representam bem o que falei sobre o olhar da equipe para o mundo. Desses 5, o mais antigo e ativo é o Faz Caber da equipe de Arte da revista Época. Desde 2007 eles alimentam o blog com dicas, referências e bastidores do que acontece na redação.
Outro ótimo blog é o Esquireartdepartament que trás a tona todos os bastidores da equipe da Esquire Espanhola, eleita a revista do ano em 2010. No blog você consegue entender exatamente o que se passa nos bastidores da equipe. Os bastidores dos abres de matéria são de dar inveja.
Já na SuperInteressante o blog Dagaveta revela a aclamada união Arte x Texto, que fica explicita nos posts de matérias e seções, cheios de imagens que monstram passo a passo a construção visual das matérias
Voltando pra Espanha o outro blog gringo que merece uma nota é o Bazaar Art Departament da estilosa revista. Apesar de poucos posts, você viaja por referências que a equipe indicaalém de releituras de capas históricas
Por último mas não menos importante temos o Los Pantones da equipe da Época Negócios. Cheio de referências culturais que vão longe do papel, o blog viaja por arte música e cultura pop pra traçar a tela de referências inspiracionais que guiam os caras.
Você conheçe mais algum interessante? Indica ai que posto aqui...
Uma das minhas resoluções de Ano Novo foi a de voltar a ativa no blog!
Ta bom, não pensei isso na virada, no momento das verdadeiras resoluções, mas o importante é que ano novo, vida nova e novos posts... Por isso coloco no ar, hoje a "Catrospectiva" do Metanoia Studio é o nosso olhar do que rolou no mundo através das capas das maiores e mais bonitas revistas.
O ano começou com umas das maiores tragédias naturais da história recente e a Época apostou na sua bela e consagrada visão minimalista
Fevereiro | New York A classe e o estilo da New York trazem a expectativa e a corrida dos atores indicados ao Oscar
Março | The Economist As mudanças climáticas que vem castigando o planeta veio numa ilustra muito bem executada na melhor pegada Economist
Abril | Vanity Fair Gordon Gekko está de volta na aclamada sequencia de Wall Street. Aclamada também foi a incrível capa da mais incrível ainda Vanity Fair
Maio | Monocle O mundo inteiro se rendeu ao Brasil de Lula e a Monocle tras seu visual analítico pra fazer um estudo da nova política diplomática brasileira
Junho | ESPN Magazine Fotaças lindas e bem produzidas! Com essa característica a ESPN Magazine construiu sua reputação no mercado editoriale a capa sobre a Copa não podia fugir disso
Julho | Entertainment Weekly Pode não ter feito sucesso como outros filmes, mas que A Origem foi um dos mais comentados ninguém dúvida. Na EW ele recebeu o tratamento clássico de Blockbuster Hollywodiano
Setembro | Veja A maioria absoluta das capas da Veja são de gosto questionável. Mas temos que dar o braço a torcer, poucas são as revistas que tem o culhão de sair com uma capa toda branca
Outubro | Mad Talvez o maior derramamento de óleo da história só poderia sair com o clássico e peculiar deboche da sempre perspicaz e ácida revista Mad
Novembro | Rolling Stone (BR) Os shows no Brasa eram em Dezembro, mas um mês antes não se falava em outra coisa. McCartney bem nessa capa que de tão característica já virou uma instituição do design editorial.
Dezembro | Wired O filme original de 82 ajudou a moldar a forma como enxergamos o mundo de hoje por isso a sequência tem sido tão ventilada a ponto de ganhar essa capa sci-fi da bíblia dos geeks.
Na semana passada a Wired divulgou um vídeo sobre o seu novo aplicativo pra iPad. Pra mim, a grande novidade é o início de um novo pensamento na hora de criar o conteúdo, a tentativa de emular uma interação revista x leitor começou a ser deixada de lado e as interações que o iPad proporciona, como toque, video e etc. começaram a ser usadas de maneira mais conceitual.
Como sempre a Wired da um passo além das outras na busca pela melhor forma de disseminar seu conteúdo...
"Eu voltei, agora pra ficar, porque aqui, aqui é o meu lugar..."
É assim, ao som de O portão do rei Roberto Carlos que começo esse post. E não pensem que vou falar do lançamento da Wired pro iPad (não vou falar agora, falarei no próximo post). Hoje vou falar de algo muito mais substancial, importante e conceitual do que porcarias tecnológicas (nossa, que agressivo, vou xingar muito no twitter... rs)
Hoje eu vou falar do atentado que 99,999% dos designers (me incluo nessa) tem feito aos indefesos olhos do público em geral. Falarei do uso exacerbado, descriterioso e gratuito do amarelo 100% no design editorial brasileiro.
Primeiro quero deixar claro que eu gosto e uso muitas vezes o amarelo100 (vamos chamar assim pra ficar mais fácil, ok?) mas tenho percebido que os designers de maneira geral tem perdido a mão no uso desse recurso. Como diz meu amigo Alexandre Lucas, o amarelo100 é como energia nuclear, em mãos erradas...
Hoje em dia, as coisas estão assim, você precisa destacar alguma informação? Mete um amarelo! Pode ser uma caixa amarela pro trás, pode ser texto escrito em amarelo, pode ser um splash amarelo...
Só que chega uma hora que as referências precisam mudar né? Daqui a pouco, o amarelo100 vai ser que nem NikeShocks (madein china), todo mundo tem. E ai amigo, um recurso bacana vai ficar banalizado.
Nós precisamos buscar outras formas de destacar a informação, já banalizamos o bold e estamos banalizando o amarelo100... onde é que vamos parar...?
Abaixo coloco alguns exemplos (inclusive coisas minhas) pra vocês verem como o amarelo100 está em todos os lugares. Não se melindrem ok?
Quando o mercado editorial começou a ser bombardeado com teorias apocalípticas do fim de revistas, jornais e livros, muitos designers ficaram com medo... As expressões do mais medrosos eram: "Ficaremos sem emprego."
Mas o que todos nós esquecemos, é que assim como a tecnologia avança na forma como disponibiliza as informações, ela também avança na forma de produzir conteúdo. Acabo de conhecer através de Crystian Cruz - um entusiasta das novas tecnologias - o Content Station da WoodWing's. Que nada mais é que um plugin do Indesign que facilita a produção de conteúdo pro iPad. A bandeira levantada por eles é de que com esse plugin você não precisa de grandes conhecimento de programação e pode produzir conteúdo de qualidade com as atuais habilidades dos designers. Abaixo segue um vídeo de demonstração do programa.
Como eu venho falando a tempos, o Content Station é apenas mais um degrau na escada que vai nos levar a um novo e diferente formato de produção e disseminação de conteúdo. Onde o papel do designer será fundamental, deixaremos de nos preocupar apenas com a forma e passaremos a pensar também no conteúdo. Segundo o próprio Crystian sua nova profissão é essa, Designer de Conteúdo.
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